domingo, 21 de abril de 2013

"It's just you and me."

Escrevo sobre você porque não posso escrever sobre nós. ‘Nós’ não passamos de você e eu. E no meio disso algumas piadinhas de duplo sentido, algumas noites no seu colchão fedendo a Whisky, alguns almoços de família que você só enfrenta se puder contar com meu apoio moral. Formamos um belo casal, é o que dizem. O cara da bilheteria do cinema, a bibliotecária, seu porteiro, minhas amigas, seus pais... Sei que você até concorda, mesmo sem sermos de fato um casal. A verdade é que não existe ainda uma palavra que nos descreva melhor, e mesmo se houvesse não a usaríamos, então tanto faz. Melhores amigos, namorados, parceiros, amigos coloridos. Nenhuma delas parece suficiente. Sem rótulos. Só você e eu, eu e você. Nada mais, nada menos que isso.
Somos nada até quando aquela loira te dispensa numa madrugada de sexta-feira e você sabe que é tarde demais para arranjar outra companhia. Tudo bem, ela nunca vai ser tão interessante como eu. Quando passar uma tarde ensolarada sentados debaixo de uma árvore, enquanto eu leio um romance velho e empoeirado, parece uma boa opção. Mesmo odiando natureza e livros, você topa porque me ouvir recitando as partes mais quentes te faz rir. Todas as vezes que você muda seus planos porque minha carência precisa de ombros confortantes. E quando tomar um vinho assistindo seu Colorado serve como um programa perfeito para a noite de quinta-feira. Apesar de saber que nunca vamos avançar. Nossas mãos, constantemente unidas, nunca vão passar a ter um anel brilhante em comum. As redes sociais nunca vão estampar qualquer tipo de relacionamento envolvendo nossos dois nomes. Vamos ser tudo, mesmo sendo nada. Nosso gosto em comum por James Taylor e fotografia vão continuar sendo só coincidências. Nada pode estragar o que não temos. E sabe de uma coisa? É melhor assim.

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