Escrevo sobre você porque não posso escrever sobre nós. ‘Nós’ não passamos de você e eu. E no meio disso algumas piadinhas de duplo sentido, algumas noites no seu colchão fedendo a Whisky, alguns almoços de família que você só enfrenta se puder contar com meu apoio moral. Formamos um belo casal, é o que dizem. O cara da bilheteria do cinema, a bibliotecária, seu porteiro, minhas amigas, seus pais... Sei que você até concorda, mesmo sem sermos de fato um casal. A verdade é que não existe ainda uma palavra que nos descreva melhor, e mesmo se houvesse não a usaríamos, então tanto faz. Melhores amigos, namorados, parceiros, amigos coloridos. Nenhuma delas parece suficiente. Sem rótulos. Só você e eu, eu e você. Nada mais, nada menos que isso.
domingo, 21 de abril de 2013
"It's just you and me."
sexta-feira, 1 de março de 2013
"Quase sempre passa, não passa nunca."
"A cadeira de balanço rangia enquanto pendia, lentamente, para frente e depois para trás. O velho álbum de fotografia já estava amarelado e suas folhas pareciam resistir firmemente o impacto do tempo. Dentre tantas, havia ali uma fotografia datada em 13 de maio de 1963, que trazia um casal sorridente. A moça de tão branca mais se assemelhava a uma porcelana chinesa, os cabelos negros modelavam perfeitamente seu rosto, que parecia ter sido minuciosamente delineado... Seus olhos negros e profundos combinavam perfeitamente com o nariz fino, e este por fim, com sua boca tão cheia e rosada. O rapaz alto e esbelto, cabelos igualmente negros e pele branca, tinha sobrancelhas grossas e até um pouco carrancudas, que contrastavam levemente com seu sorriso torto. Só de fitar aquele sorriso meu corpo estremecia.
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